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A fé cristã é parte importante do diferencial na sua profissão

Nos últimos anos tem sido frequente surgirem programas, cursos, workshops, autores, livros etc., versando sobre técnicas e maneiras para nós, cristãos, desenvolvermos habilidades e inteligências desejáveis na obtenção de êxito na carreira secular ou na condução do próprio ministério. De tempo em tempo mudam as nomenclaturas e fazem, a bem da verdade, um remake do modelo anterior, adicionando um novo ingrediente, uma nova pesquisa (dita científica), tudo muito cosmético, quando observado com mais critério.

Parte dessa nova bagagem oferecida poderia ser rapidamente descartada, por razões que não entrarei em mais considerações. Mas parte dessa bagagem é, para nós, repertório daqueles que caminham no campo da fé cristã, ao contrário do que possamos pensar em demérito da nossa bagagem espiritual. Tomo um único exemplo, além do que escrevi no artigo anterior (link), nas palavras de Warren Buffett, o famoso filantropo e investidor norte-americano. Ele disse: “Ao escolher com quem trabalha, você busca três qualidades: integridade, inteligência e energia. Se você não tem a primeira, as outras duas vão acabar com você”.

O que é a integridade? Grosso modo, é uma virtude, uma qualidade, como ele disse, encontrada nas pessoas íntegras. Isso nos leva a pensar em uma pessoa completa, plena, em quem não há falta ou deficiência. E aqui, com toda a segurança, ele está pensando em mais do que meramente honestidade, está sendo um aspecto daquela.

A integridade é (ou deveria ser) artigo próprio das pessoas que cultivam e valorizam a fé no Senhor. Veja como se manifestam o autor dos provérbios: “Ele reserva a sensatez para o justo; como um escudo protege quem anda com integridade” (Provérbios 2.7) e o apóstolo Paulo, ao aconselhar a Tito: “Em tudo seja você mesmo um exemplo para eles, fazendo boas obras. Em seu ensino, mostre integridade e seriedade” (Tito 2.7).

De certo modo, a integridade é um fruto daquele que se volta para o Espírito ou daquele que anda pela fé, mas falamos aqui de uma fé responsável e transformadora.

A nova economia do século 21 procura profissionais que sejam habilidosos, talentosos, criativos, não sem antes interessar-se por uma qualidade que o cristão precisa cultivar: a sua integridade. Segundo Warren Buffett, sem ela, ninguém irá a lugar algum! Portanto, penso estar claro que precisamos melhorar aspectos técnicos em nossas competências, sem, com isso, desmerecer nem descuidar do repertório que podemos receber do Senhor por meio de uma fé cristã madura e vigorosa.

Habilidades e virtudes, sem conflito

Há vários dilemas que podem incomodar pessoas de bem, pessoas íntegras e que estão engajadas na realização de algo sustentável e duradouro para suas vidas, suas carreiras e para a sociedade. Caso essa pessoa seja cristã, seja um discípulo de Cristo, é possível que seus dilemas sejam maiores em número, em quantidade.

A relação entre ser um cristão virtuoso ao mesmo tempo em que se torna um profissional com competências diversas pode levar pessoas a um dilema; mas não deveria. Tanto o mundo dos negócios quanto a cultura secular mais sofisticada, como a cultura digital, e determinados (eu não disse todos) aspectos da pós-modernidade, têm seduzido a muitos na Igreja. Isso é visto com facilidade em quase tudo o que a nova cultura igrejeira produz, desde (o bizarro) carnaval gospel até as tentativas de justificar tecnicamente o “enegrecimento” do interior dos locais de culto. As “desculpas” nunca são bíblicas, sempre técnicas, de dentro dos campos da psicologia e – o que é pior –, do marketing.

Aqui chegamos ao ponto principal desta primeira nota que escrevo para o portal: a relação entre o que é propriamente “nosso”, cristão (não disse sagrado), e o que é propriamente uma produção humana, de natureza humana para fins humanos (não disse profano).

Em outras palavras, no mercado das ideias e dos comportamentos não deve haver restrição àquilo que representa a alma de mais de 40 milhões de brasileiros, que é a fé evangélica (nem incluí católicos para não ofender sensibilidades). Não vivemos uma democracia em país laico? Então deve haver espaço para todos… nós.

Quando dizemos que somos discípulos de Jesus, as pessoas esperam ver algo diferente, não o que elas já fazem bem feito. Mas, ao contrário disso, querendo ser agradáveis, aceitos, bem vistos e queridos, temos dado a elas uma caricatura, uma fake image de uma fake persona que não cola. Fazer isso não tem a menor justificativa!

Peter Schutz, que foi CEO da Porsche, recomendava: “Contrate caráter e treine as habilidades”. Essa recomendação resume muito bem o que quero dizer, além de reforçar a ideia de que a sociedade mais ampla, e especialmente as empresas de ponta da nova geração, estão desesperadas por pessoas que sejam habilidosas no trato comercial, competentes como profissionais e diferentes como pessoas, isto é, virtuosas e mais humanas.

Acontece que quando falamos de virtudes, estamos falando de algo que a fé cristã deve entender muito bem, melhor do que o melhor MBA pode proporcionar aos melhores profissionais do mercado. As páginas do Novo Testamento há dois mil anos estampam breves, mas consistentes, listas de virtudes que o relacionamento pessoal com Jesus pode produzir em você, em mim e em quem quer que se aproxime dele. Um exemplo é Gálatas 5.22-23; outro exemplo é Efésios 4.25-32 e há outras listas.

Portanto, não entre em um dilema desnecessário que pode existir somente na sua imaginação, de que é preciso ajustar-se ao modelo cultural ou à “ética do mercado” para que consiga destacar-se. Não penso que precisamos nos tornar o “crentão a toda prova”, o “missionário enrustido” (a não ser em missões transculturais em países cujos regimes são de segregação e perseguição).

Seja você um cristão virtuoso e um profissional habilidoso. Peter Schutz estaria de olho no seu currículo.