fbpx

A escolha do padrão polar dos microfones

Problemas com microfonia? Captação muito fraca da voz do pastor? Som do instrumento acústico alterado quando capta com microfones? Talvez você não saiba, mas o problema pode estar na escolha inadequada do microfone, com padrão polar não recomendado para a sua necessidade de aplicação.

Sabe aquele gráfico que aparece no lado de fora da caixa do microfone novo, ou em uma pequena folha inserida dentro da embalagem? Aquele, que pode aparecer com um gráfico linear de e um globo com uma “bolinha” no centro (figura 1)? Pois essas são as representações gráficas da resposta de frequência de seu microfone as faixas de grave, médio e agudo, e do ângulo de abertura de captação. Repare que, nos gráficos de alguns modelos, aparece até o desenho do microfone no centro do globo, para facilitar a compreensão do mesmo (figuras 2 e 3).

 

Por isso, ao adquirir um microfone, considerar o padrão polar é essencial para obter sucesso no processo de captação de som. Vamos então conhecer quais são os principais padrões?

OMNIDIRECIONAL (figura 2): É o padrão que encontramos em boa parte dos microfones de lapela, over all de bateria, microfones de coral, entre outros. Tem esse nome porque capta, com relativa uniformidade de leitura de frequências, em todas as direções. Por isso pode ser um problema quando usado perto de fontes de áudio como caixas de PA, caixas de retorno e até mesmo fones de ouvido – dependendo do nível do volume empregado.

 

DIRECIONAL (figura 3): Tem uma concentração maior na parte frontal, com relativa “fuga” traseira. Falo relativa porque subdividimos os direcionais em 4:

Cardióides – tem uma abertura de ângulo frontal maior, mas precisa ser usado a distâncias mais curtas da fonte sonora. Em contrapartida, praticamente não tem fuga traseira, o que ajuda muito a evitar microfonias com monitores/caixas de retorno.

Supercardióides (ou subcardióide) – tem um ângulo de abertura frontal menor, mas pode ser usado mais afastado da fonte sonora. Em contrapartida, apresenta fuga traseira que pode gerar problemas com microfonia.

Hipercarióides – ainda mais restrito no que diz respeito ao ângulo de cobertura frontal, tem a vantagem de ganhar em distância: podemos usá-lo ainda mais distante da fonte sonora – desde que em eixo frontal, ou seja, bem de frente para a capsula. Em contrapartida, tem uma fuga traseira ainda mais sensível, o que o torna um microfone suscetível a microfonias se usado perto de monitores e caixas de PA. Muito empregado em microfonação de instrumentos de sopro.

Bidirecional – de uso mais restrito, é praticamente o mesmo que usar dois microfones, um de costas para o outro, deixando a zona de cancelamento para as laterais.

 

Claro que teríamos muito mais para falar sobre esse assunto, inclusive inserindo exemplos de aplicação, contudo nosso espaço na coluna não permite. Mas você pode me escrever e conversamos mais sobre esse e outros assuntos importantes na escolha de um microfone (impedância, sensibilidade, tipo de capsula, efeitos de cancelamento, etc.). Nosso prazer é servir a Igreja brasileira. Deus te abençoe!

Podcast, a (nova) estrela das plataformas digitais

Você tem o costume de ouvir podcasts? Ou pelo menos já ouviu falar? Não é algo novo, pois o termo foi criado pelo ex-VJ da MTV, Adam Curry, no início dos anos 2000, da junção das palavras iPOD (aquele player de áudio digital da Apple, lembra dele?) e o termo em inglês Broadcasting (transmissão, sistema de disseminação de informação em larga escala). Contudo, foi nos últimos 18 meses que essa ferramenta explodiu no Brasil, com o surgimento de diversas novas iniciativas para os mais variados públicos e formatos: narrações de histórias, debates em torno de temas específicos, entrevistas, resenhas de livros, devocionais, ou simplesmente o registro de conversas sobre diversos assuntos. E diversas igrejas e ministérios têm usado a mesma como canal de comunicação.

Apesar de lembrar um programa de rádio, o podcast se diferencia por sua praticidade: arquivos de áudio leves e disponíveis para download, sem hora marcada para ouvir, nem duração exata. Você acha de graça na internet, pode assinar o serviço para ser lembrado sempre que surgem novos episódios e pode ouvir no carro, na academia, lavando louça, no transporte público ou na sala de espera de um consultório, ou seja, onde quiser e puder.

Outro motivo que tem feito dessa ferramenta um sucesso é o fato de que é algo muito fácil de produzir e disponibilizar, e com essas dicas que vou partilhar com você ficará ainda mais fácil. Anota aí:

  1. Do que preciso? De um bom tema, um pessoal que realmente tenha conhecimento do assunto e facilidade para conversar, um local silencioso e algum equipamento (veja abaixo);
  2. De equipamento, você vai precisar de:

    Figura 1
  3. a) uma interface de gravação – pode ser um gravador digital (como, por exemplo, o da figura 1), um smartphone com um bom app de gravação, ou ainda um computador com um programa de gravação e edição instalado (o Audacity é uma opção gratuita e muito boa!).

    Figura 2
  4. b) Microfones – existem hoje microfones criados especialmente para esse fim (figura 2), que podem ser conectados diretamente em seu smartphone, tablet ou na USB de seu computador. Mas você também pode usar microfones comuns e uma pequena mesa de som (figura 3)
    Figura 3

    ligada ao seu computador, sem problemas;

  5. Equipamento em mãos, sala preparada e convidados a postos? Está QUASE tudo ok, mas ainda não aperte o REC! Tenha em mãos uma estrutura do episódio – um pré-roteiro com informações úteis sobre o tema e algumas perguntas e partilhe isso com seus convidados. Mesmo sendo algo informal e descontraído, é preciso ser organizado para evitar aqueles “vazios” indesejados durante a gravação;
  6. Gravou? Edite usando uma vinheta legal com trilhas sonoras gratuitas (tem bancos do YouTube e Facebook à disposição);
  7. Chegou a hora publicar! Eu sugiro começar com o serviço do Anchor fm que, além de gratuito, já distribui seu podcast para os principais agregadores e players de áudio, como o Google Podcast, iTunes e Spotify, entre outros.
  8. Não se esqueça de divulgar em seus perfis nas redes sociais, site da igreja ou organização, boletim etc. A divulgação é a alma do negócio!

Quer curtir alguns podcasts cristãos legais? Confira essas sugestões no Spotify ou diretamente nos sites: QuintaCast, Irmaos.com, BTCast, entre outras boas opções.

E se quiser saber mais sobre a técnica por trás da produção, me escreva. Vou até aí e produzimos juntos para aprender! É sempre um prazer servir à Igreja de Cristo.

Afinal, para que servem as caixas do SUB?

Uma das perguntas que mais recebo de pastores que me procuram atrás de informações sobre a necessidade de comprar caixas de subwoofer para suas igrejas é esta: são realmente necessárias? Para que servem?

Pois bem, vamos a uma resposta direta e clara, sem rodeios ou armadilhas tecnicistas que mais confundem do que ajudam quem não tem muita familiaridade com a área.

O subwoofer ou SUB, como chamado popularmente pela galera do áudio – nada mais é que uma caixa de som que atende a faixa de frequências mais graves do espectro audível pelo ser humano, que vai de 20 Hz até a casa dos 200 Hz. Como nesta faixa de frequência o cone do alto-falante precisa movimentar muito ar, são alto-falantes de diâmetro grande e alto deslocamento do cone. Por isso caixas tão grandes!

Ok, mas quem faz uso disso? Os maiores beneficiados são os instrumentos musicais que trabalham nessa faixa de frequência – contrabaixo elétrico e o bumbo da bateria – se microfonado, por exemplo. A presença dessas caixas amplia a percepção acústica desses instrumentos, dando aos subgraves o mesmo patamar de volume das demais faixas de frequência que são disseminadas pelas caixas multiuso equipadas com alto-falantes de 10”, 12” ou 15” de diâmetro (para frequências graves, médio-graves e médio-agudas) e drivers para as frequências mais agudas.

Ah, ok, entendi! Posso comprar um par de subwoofers e colocar na minha igreja então que vai ser bom?” Calma lá! Nem sempre! A propagação de graves em ambientes sem tratamento acústico adequado e com diversas superfícies reflexivas paralelas (paredes de alvenaria, janelas de vidro, laje no forro e piso frio), torna o ambiente uma verdadeira caixa de reverb, uma “câmara de eco”, prejudicando muito a clareza da mensagem falada/cantada. Nesses casos, a inclusão de caixas de subwoofer pode agravar muito o problema, prejudicando demais a legibilidade do som. Por isso, se você já tem problema com som “embolado” antes de comprar o sistema de sub, cuidado! Melhor resolver esse problema antes de arranjar outro ainda maior…

Caixas de subwoofer são recomendadas para ambientes tratados acusticamente, na qual a qualidade de resposta do ambiente às diversas faixas de frequência não favorece altos tempos de reverb. São ambientes com grande presença de superfícies com índices adequados de absorção acústica – pisos de madeira, cadeiras estofadas, tapetes, forro com placas acústicas, entre outros. E, claro, onde a presença das frequências subgraves se faz necessária e justifica o valor investido (salas de projeção de filmes ou onde são microfonados/amplificados eletricamente instrumentos com a forte presença dos subgraves na formação de seus timbres característicos). Fora isso, é desperdício de dinheiro!

Ah! E sempre montado junto ao piso! Subwoofer transfere o som por vibração, e o chão é a superfície mais propícia para isso. Suspender o SUB é reduzir sua capacidade de “falar”.

Tem dúvida? Escreva-me! Estou aqui para servir à Igreja brasileira.

O som na transmissão ao vivo do culto

Um dos grandes desafios de quem se aventura na transmissão ao vivo de cultos, celebrações e outras atividades da igreja é o de dar ao som a mesma qualidade e nitidez que se dá à imagem. O fato é que o áudio nem sempre recebe o mesmo cuidado e atenção que o vídeo, trazendo resultados finais desfavoráveis: belas imagens, mas um áudio sofrível!

São duas as situações mais comuns:

Captação de áudio direto, pelo microfone da própria câmera/smartphone empregado para realização da live. Nesse caso, a nitidez fica muito prejudicada, porque o som sofre o efeito da acústica do ambiente, da distância entre o emissor e o microfone da câmera e demais ruídos locais.

Captação de áudio indireto, ou seja, por meio de uma saída auxiliar ou de gravação da mesa de som que envia sinal para a entrada de microfone da câmera. Apesar de ser o mais indicado por causa da nitidez, acaba prejudicando a sensação de ambiência e o “calor” da congregação em momentos como o de cânticos, por exemplo – além de permitir que se perceba de forma muito mais clara, alguns problemas de afinação, mixagem de som e outros.

Mas qual a melhor forma de transmitir um som de qualidade que permita a quem está assistindo compreender com clareza o que está sendo falado/cantado e, ao mesmo tempo, passe uma ideia do “calor” do momento no local do evento? A resposta é simples: mixe os dois tipos de sinais! Abaixo, indico uma alternativa fácil e barata para quem não dispõe de grandes recursos financeiros e/ou trabalha sozinho, ou com equipes reduzidas.

Existem hoje no mercado algumas boas opções de mixer de áudio para vídeo, com duas entradas de áudio balanceadas.

Mas um mixer convencional de pequeno porte, com 2 ou 4 entradas, também pode servir.

  Em ambos os casos, o equipamento permite mixar o sinal que vem da mesa de som principal do templo com um sinal captado por um ou mais microfones condensadores estrategicamente posicionados para captar, por exemplo, a congregação cantando.

Aí, a partir do monitoramento com fones, entra em ação a sensibilidade do técnico responsável para ajustar o volume desses dois sinais, de forma que fique compreensível e agradável para quem assiste a transmissão. Na hora dos cânticos, por exemplo, costumo reforçar o sinal que vem do microfone posicionado para captar o som do ambiente, a participação da congregação e o efeito do auditório. Já na hora da pregação é muito comum eu ampliar a presença do som que vem da mesa de som principal e deixar um pouco do som do microfone no auditório apenas para captar a reação pontual do público durante a mesma. Isso garante maior legibilidade do que está sendo falado sem, contudo, anular a percepção da participação da congregação.

Ficou com dúvida sobre como usar? Me escreva: fpereiraa@gmail.com

Comunicar com excelência é preciso

No rastro da evolução tecnológica, igrejas investem pesados recursos na aquisição de sistemas cada vez mais sofisticados de som e imagem. O objetivo é atrair e reter a atenção de seu público-alvo, esteja ele presente no auditório ou fisicamente distante, mas acompanhando via internet. Porém, o retorno obtido com tal investimento fica muito abaixo do desejado.

Contudo, não raras vezes o retorno obtido com tal investimento fica muito abaixo do desejado. Pesquisa realizada no início dos anos 2000 indicava que a igreja brasileira investia em média 4 vezes em sua estrutura de som e imagem antes de conseguir resultados favoráveis. Um desperdício de tempo, dinheiro e energia causado pela falta de planejamento estratégico para a área, incluindo um estudo amplo das necessidades realizado por um profissional qualificado para elaborar o projeto, e a capacitação de uma equipe em tamanho e com características técnicas adequadas para obter o melhor resultado dos sistemas adquiridos. E nesses meus 30 anos de ministério na área posso afirmar que tal pesquisa representa a realidade de boa parte das igrejas que atendi no período.

Profissionalizar a gestão da comunicação da igreja não pressupõe obrigatoriamente a contratação de profissionais (o que não é uma má ideia para igrejas que tem condições para tal), contudo não pode ser visto como algo de menor importância, afinal comunicar o Evangelho é a premissa central de nossa missão. Investimento na capacitação de quem opera tais sistemas – sejam profissionais empregados ou membros voluntários, é fator inegociável para a obtenção dos melhores resultados possíveis.

Nesta seção falaremos um pouco sobre aspectos importantes na montagem e operação de sistemas eficientes de som e imagem para sua igreja. A cada 15 dias traremos novas abordagens, e você vai se surpreender com o fato de que nem sempre o sistema mais caro é o mais adequado para a sua necessidade. Muitas vezes a solução mais eficaz é muito mais acessível do que você pensa, técnica e economicamente. Então, te convido a caminhar conosco e a participar ativamente, enviando suas dúvidas, críticas e sugestões de temas. Testaremos novos produtos, analisaremos novas demandas, trocaremos conhecimento e experiência. Vamos juntos trabalhar para que a nossa tarefa de sonorizar, captar e transmitir som e imagem seja uma ferramenta que contribua efetivamente na expansão do Reino de Deus e seus valores eternos.